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[Quinta-feira, Setembro 15, 2005]
Eu não suporto o cheiro de sangue. Ele me causa ânsia, náuseas. Eu não gosto da visão do sangue. Ele me causa aflição, pânico. Eu não gosto de sangue, ainda mais se for o meu. E o que eu vejo é sangue, o meu sangue. Em minhas mãos, em minha camisa, escorrendo pela minha testa e cegando meus olhos. Eu não gosto de sangue porque ele me lembra o cheiro de hospital, um lugar que você só consegue enxergar o teto e suas luminárias velhas, com algumas lâmpadas queimadas. Eu não gosto da sensação de estar sendo levado em uma maca barulhenta enquanto um saco de soro se equilibra sobre minha cabeça. Eu não gosto da sensação de perder a consciência e deixar minha vida nas mãos de estranhos... Eu não gosto de acordar dopado, da dor de cabeça, do amargor na boca. Eu não gosto da cama dura e fria. Eu não gosto da solidão e do silêncio. Mas tudo ainda poderia ser pior. Poderia quando ela entra no meu quarto à noite, com sua roupa branca, para me ver. Só que ela não quer me ver do jeito que eu desejo, e sim para ver como estão os remendos pelo meu corpo e as talas que impedem praticamente todos os meus movimentos. E quando ela se aproxima de mim, seu perfume invade meu nariz e elimina qualquer cheiro desagradável de remédio e anti-séptico que parecia se impregnar para sempre, seus seios tentam respirar, retidos apenas pelos botões de sua blusa, suas pernas realçadas pela transparência de sua calça branca. Agora tenho tudo que sempre sonhei, a maior de minhas fantasias, uma residente maravilhosa, toda em branco, se não fosse pelo detalhe que estou imobilizado a essa maldita cama, enquanto ela toca meu corpo totalmente estropiado, como se fosse uma carne morta.
E ela vai embora, mas seu perfume fica. E eu aqui, todo fodido. A noite vai ser longa, mas talvez ela volta amanhã. Talvez.
por Hiran Eduardo Murbach * 11:02 PM
E agora você tem opções!
[Quinta-feira, Setembro 01, 2005]
Eu não acredito que o União escape dessa, acho muito difícil mesmo, apesar de torcer muito para acontecer. No entanto, sou obrigado a admitir que seria merecido. E não estou apenas dizendo isso com relação a parceria, ao técnico, ao grupo de jogadores, mas sim num contexto geral. Por mais que me doa dizer isso (e dói muito sim), o União não merece estar na Série B do Brasileiro, nós não estamos e nunca vamos estar no mesmo nível de Grêmio, Bahia, Vitória, Sport, Santa Cruz. E sendo mais duro ainda, nem na primeira do Paulista a gente merece, pois esse lugar pertence muito mais a times como o XV, Botafogo, Noroeste entre muitos outros.
Na boa, sendo honesto, o que nos credencia a ser um time grande?! Somos uma cidade que não apoia o time e nunca apoiou, independente de prefeito, vereador, ou o que seja pois, muito mais importante que se unir para crescer o time é a eterna briga política entre situação e oposição, todo mundo querendo tirar proveito político ou qualquer outro. Temos também um estádio pequeno, apertado e sem estrutura que, apesar de ser muito aconchegante (um dos melhores para assistir a um jogo), não comporta um grande jogo. Além disso, é fato que passa ano após ano, o União sobe da A3 pra A1, sobe para a série B do Brasileiro, e a cada jogo são sempre os mesmos 1.000, 1.200 torcedores. Quem costuma ir aos jogos sabe que sempre encontra as mesmas pessoas.
Por isso tudo, não adianta a gente chorar, criticar, reclamar, pois SBO nunca fez por merecer um time nas primeiras divisões. É fato que quando fomos campeões da A2 em 1998, foi mais por acidente que qualquer outra coisa, ainda mais que subiu apenas o campeão. Ano passado a mesma coisa, ou vocês acreditavam que dava para ser campeão? Eu não...
Só que disso tudo, eu tenho muitas lembranças felizes que nunca vou esquecer. Golear o Corinthians, a Portuguesa e o Palmeiras na capital, virar um jogo contra o São Paulo em menos de 10 minutos após estar perdendo de 2x0, vitórias bonitas e empolgantes sobre o Santos, Ponte, Guarani em casa, fazer o Rio Branco virar freguês, assistir o União no Pacaembu, no Morumbi, no Parque Antartica e no Canindé. Emocionar-se com a vitória sobre o Noroeste em Bauru, subir encima do São Caetano metendo 5 no Anacleto Campanela e da Ponte, com um 4x0 inesquecível, levar 5 do mesmo São Caetano e no mesmo Anacleto Campanela e comemorar como um título, por escapar de um rebaixamento já escrito, tomar chuva, ficar debaixo do bandeirão, ouvir a salva de rojões antes do início de cada jogo, quase apanhar da torcida em Itu e em Limeira...
Foram anos felizes? Claro que foram, mas o rebaixamento não é tudo, porra! Brasileiro? Sonho muito grande, pois primeiro precisa crescer a mentalidade de MUITA gente, antes do União crescer novamente. Paulista? Vamos jogar com vontade, disputando liderança, classificação, empolgando para, quem sabe em breve, voltar para a primeirona, quem sabe mais estruturado, pois um time não pode depender da pessoa fisica de um ou outro dirigente, e sim da força do clube em si.
Ano que vem, os mesmo 1.000 voltam a apoiar o time, assistir aos jogos, vibrar, torcer. Quem não quiser assistir mais jogos? Não precisa, não faz diferença nenhuma, pois o que a gente menos precisa são de torcedores de ocasião, que só vestem a camisa do time quando ganha e só criticam quando perde, mas que na verdade nem sabem o nome de mais de dois jogadores do União.
É uma pena tudo isso, mas ser torcedor de verdade é saber analisar friamente a situação e perceber não que o sonho acabou, e sim que chegamos longe demais, mesmo contra a lógica e a torcida contra de muitos.
E se chagamos lá uma vez, podemos voltar sim!!!
por Hiran Eduardo Murbach * 6:38 PM
E agora você tem opções!