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[Segunda-feira, Agosto 20, 2007]
Um Abraço
E olho para o lado e percebo que, finalmente, estou com ela novamente. Nem parece real, afinal depois daquele dia do aeroporto, quase dois meses se passaram e nada de voltarmos a nos encontrar. Foram conversas por telefone, por internet mas, de verdade mesmo, aquilo do olho no olho, pele com pele, sentir o cheiro e o calor da respiração um do outro nada.
Ela foi viajar, afinal por isso que eles acabaram se encontrando, retornou, mas como o destino adora pregar peças, principalmente nos sonhadores, eles não conseguiram se encontrar. Teve um dia que ela passou pela cidade dele mas, por caprichos que ninguém explica, a não ser pelo fato da vida ser escrita por um deus sádico e brincalhão, ele estava fora a trabalho. E a tão prometida visita à cidade dela nunca acontecia, por motivos mil, aumentando cada vez mais a sua frustração.
Nessas horas me questionava o que sentia por aquela linda menina, pequena, de cabelos curtos e negros, de sorriso maravilhoso, humor docemente ácido e uma espontaneidade que ele nunca havia visto. Como poderia apenas menos de duas horas de conversa e um abraço que não durara trinta segundos mudar tanto a sua vida.
Afinal, a vida não é um filme, que no transcorrer dele todo os protagonistas sofrem com as mazelas da vida até que, quase ao acender das luzes, encontram-se da maneira mais mágica possível e, durante os créditos e ao som da mais bela canção, fazem amor como se o felizes para sempre realmente durasse pra sempre. Não, de maneira alguma, pois não existe felizes para sempre na vida real, aquela vida onde a gente sangra de verdade, chora de verdade, morre de verdade.
Quantas e quantas vezes ele se pegou sonhando acordado, rememorando o abraço ou imaginando o próximo. Será que ele seria tão doce? Será que ele seria tão especial? Ou a graça estava no curtir a distância, imaginar cada movimento de um relacionamento praticamente platônico, que existia apenas na imaginação de duas pessoas, sem ter se tornado parte do mundo físico? Seria um novo abraço tão bom como tinha sido aquele? Seria o beijo tão quente como era na sua imaginação?
Então deve ser por isso que quando se imagina muitas vezes uma situação e ela se torna real, você tem dificuldade em dissociar o que é realidade do que é sonho. E exatamente por isso tenho dificuldades em acreditar que realmente estou novamente ao seu lado. É, finalmente criei vergonha e o destino pode ser combinado com a agenda e trabalhado junto com a disponibilidade, criando a situação perfeita para se entrar em um carro, viajar quase quatro horas para enfim reencontrar a dona do abraço mais gostoso do mundo.
Finalmente então pude olhar ao lado, fechar os olhos e abri-los novamente, e constatar que ela ainda continuava lá, deitada ao meu lado, com a cabeça apoiada na sua mão direita e sorrindo, perguntar-me:
- O que foi? Não gostou do que viu?
Não gostar do que eu vi? Impossível, my dear. Gostei sim, e ainda hei de gostar muito mais.
- Não, não gostei não. Por quê? Deveria? – e rindo, joguei-me sobre ela numa mistura de briguinha entre crianças e carícias não tão infantis assim. Tinha chegado fazia algumas horas, encontrei-me com ela num ponto qualquer da cidade, provavelmente algum ponto de referência fácil de se localizar, apesar que não teria dificuldade alguma em encontra-la sentada em um banquinho típico de uma praça de uma cidade do interior.
Com seus cabelos soltos, vestindo uma blusinha branca e uma saia jeans, que denunciavam um calor maior que o que eu estava habituado, escondia seu olhar sob um par de óculos escuros grandes, mas não escondia seu sorriso, abaixo.
Desci do carro e, após um segundo de mutua resistência, como que temendo que um novo abraço pudesse quebrar a magia existente até aquele momento, nos abraçamos. Em silêncio, apenas um abraço. Trinta segundos, um minuto, ninguém queria ser o primeiro a quebrar aquele instante até que, como se ensaiado, soltamo-nos ao mesmo tempo. E naquele instante eu percebi que se alguma coisa quebrara era a minha tola convicção de que o imaginário era melhor que o real.
- Senti sua falta.
- Eu também.
Fomos então até um barzinho nas proximidades, sentamos, pedimos uma cerveja e uma porção de qualquer-coisa-gordurosa e começamos a conversar. Pensando bem, não havia muita coisa para conversar pois falávamos sempre, mesmo que por poucos minutos, e os assuntos giravam sobre tudo e todos. Porém, agora, o que importava era a presença um do outro.
O engraçado é que, por algum motivo, ficamos um pouco distantes, fisicamente falando. Após aquele abraço, o contato físico ficou restrito, por quase uma hora, a pequenos toques, como se estivéssemos desbravando um território inexplorado, desconhecendo os perigos lá existentes. Bem, questão de tempo mesmo, afinal não tinha como resistir e não beija-la, e assim o fiz.
Como que de surpresa, aquele beijo que é roubado e que definitivamente é bem mais gostoso, pude então obter aquilo que nas últimas semanas eu mais desejava.
Duas cervejas mais, e fomos até sua casa. Paramos defronte a uma casa, ela abriu o pequeno portão e coloquei meu carro lá dentro. Entramos, coloquei minhas malas ao lado de um armário do seu quarto e, por um instante sentei-me aos pés de sua cama, para descansar um pouco. Ela olhou-me e disse:
- Vai ficar aí agora?
- Olha que não é uma má idéia, viu? Algo contra?
- Não sei, vai só ficar sentado aí então?
Como que me sentindo provocado, puxei-a pelo braço e joguei-a na cama, virando-me e começando a beija-la. Sem oferecer resistência alguma, ela entrou no jogo e correspondeu aos meus beijos, dessa vez mais quentes e demorados.
Só então que, olhando para seus olhos novamente eu me toquei que esse bom iria durar apenas um curto espaço de tempo, pois eu precisava retornar para minha cidade na manhã seguinte. Bem, manhã era ser legal, pois eu precisava estar em casa já pela manhã o que significava deixa-la ainda com a lua e as estrelas adornando o céu. Ou seja ainda, contar as – poucas – horas que iríamos ficar juntos.
- Você precisa mesmo ir embora tão rápido? Nem vai dar tempo da gente fazer nada!
- Infelizmente. Certas coisas não dão para evitar.
- Mas você acabou de chegar... – e não tive como não me comover com aquele olharzinho triste. Eu também estava triste e sabia que aquele pouco tempo que ficaríamos junto não era nada perto do que tínhamos vontade mas, nas circunstâncias, era o melhor que poderíamos ter. Abracei-a novamente, encaixando sua cabeça no meu ombro direito, podendo sentir a sua respiração ofegante. Afrouxei o abraço, aparei teu rosto com a minha mão e, virando-o em minha direção dei um suave beijo em seus lábios. Com isso, ela devolveu-me seu sorriso.
Deitamo-nos mais uma vez em seus lençóis brancos e, apenas acompanhados do som do silêncio, pude beijar teu pescoço e sentir seu doce perfume. Tirei sua blusa e pude admirar tua pele, branca como o leite e suave como o algodão, sendo questão de tempo eu despi-la de seu sutiã, que me presencio com o mais belo par de seios que já vira. Tua pele alva e macia fazia-me finalmente digno de provar do mais saboroso fruto que a nascera nessa terra, da ambrósia, privilégio de poucos ou quase nenhum mortal, mas que naquele momento era me servido a mesa, por uma ninfa, tal qual nenhum conto de fadas tivera a capacidade de imaginar.
Então, eu descobrira que não apenas um abraço tivera a capacidade de mudar a minha vida, mas que algumas horas em companhia de uma menina tornaram-me uma outra pessoa. E que naquela noite eu finalmente descobrira algo que por eras eu duvidava que existira.
Não apenas por sua pele, por sua doçura, por todo o prazer que experimentei e dei, mas por todo um contexto. Por um sorriso, por um cheiro, por um abraço.
por Hiran Eduardo Murbach * 6:56 PM
E agora você tem opções!
[Segunda-feira, Agosto 13, 2007]
Politicamente incorreto mas não preconceituoso
Homem que não bebe cerveja e não gosta de futebol é viado
Mulher que bebe cerveja e gosta de futebol é o máximo
por Hiran Eduardo Murbach * 8:45 PM
E agora você tem opções!