Que eu adoro futebol, isso não é novidade para ninguém que me conhece, e que lê – ou leu – esse blog em algum momento dos 6 anos de existência dele. Outra coisa facilmente detectável é que eu sou palmeirense, alternando momentos de raiva, decepção, esperança e alegria, porém sem nunca abrir mão dessa condição. Daí alguém me pergunta: Por que palmeirense?
É, boa pergunta. Principalmente se você for levar em consideração a fatídica fila, que me levou a gritar “é campeão” apenas aos 16 anos. Durante esse período, ser campeão era um sonho tão impossível como ganhar na loteria ou fazer sexo com uma modelo, algo que sonhamos sempre, mas sabemos que nunca teremos o gostinho de saber como é, não que seja matematicamente impossível e sim por ser algo que não está destinados a nós.
Depois disso, a situação melhorou, mas não muito. Três Paulitas, dois Brasileiros, uma Copa do Brasil, um Rio-São Paulo, uma Libertadores e um Brasileiro da Série B, o que perfaz nove títulos num prazo de 31 anos, um a cada mais de três anos o que é, convenhamos, muito pouco.
Então, por que eu torço para o Palmeiras, e não para algum outro time que ganha mais títulos? Exatamente pelo motivo que não se escolhe para o time que você torce, se alguém algum dia dizer que escolheu esse ou aquele time, pode ter certeza que é um torcedor de merda! A grande verdade é que o time te escolhe, e daí já era, meu amigo.
Poderia muito bem dizer que sou palmeirense porque meu pai também é, e dos fanáticos, que me levava aos estádios sempre quando eu era pequeno, mas todos sabemos que isso não é a regra, cada vez mais está sendo a exceção. Não existe um dia que eu acordei e disse: vou ser palmeirense. Esse dia não existiu, simplesmente porque eu NASCI palmeirense.
Tá no sangue, tá na alma. É algo mais forte do que qualquer outra coisa, qualquer outro tipo de sentimento. Na vida você troca de tudo, de amigos, de amor, de religião, de ideologia política, até de sexo, mas nunca, jamais, em tempo algum, pode mudar de time.
Então por isso mesmo não busque explicação no que é inexplicável, não tem como entender a sensação que é ver aquele time de uniforme verde jogando, a torcida gritando, o hino tocando. Não se entende, apenas se sente.
É torcer para um time de verdade, onde a alma foi lapidada com sangue e lágrimas, sejam elas de alegria ou tristeza. É sentir um arrepio na espinha ao rever o gol do Zinho na final de 2003, as jogadas de Djalminha e Rivaldo em 2006, as defesas do nosso São Marcos nas Libertadores de 1999 e 2000, principalmente a última defesa no pênalti do Gambazinho Carioca e agora, o gol e a comemoração do Mago Valdívia contra os Bambis. É ter gratidão eterna para com Evair, Edmundo, Cesar Sampaio, Cléber, Roberto Carlos, Felipão, Arce, Alex, entre outros, pelos momentos que nos deram.
Mais que isso, é torcer pelo Brasil na Copa de 2002 com todas as forças apenas por causa do Felipão, do Rivaldo e do São Marcos. É chorar ao ver o time na segunda divisão, mas ser responsável por uma revolução no futebol brasileiro, onde se volta ao lugar devido pela porta da frente, empurrados por uma torcida que se tornou mais fanática e superou qualquer expectativa.
Pois o que se discute aqui não é quantos títulos seu time tem, ou se a torcida é ou vai ser a maior do Brasil. Estou pouco me fodendo para quem é a maior torcida, pois não me interessa a quantidade, e sim a alma. E ainda, como já disse um dos maiores entendidos de futebol desse pais, toda unanimidade é burra, assim como burra é a torcida que não tem alma. Burra e medíocre.
Assim, se você não entende o que é ver seu time fazer um gol, ou seu goleiro defender um pênalti, ou a sensação que é o apito do árbitro ao fim daquele jogo final que nos deu o título, então, infelizmente, tua vida nunca será completa.
Dentre os diversos rótulos existentes no futebol, existem dois que as vezes se confundem, que são o craque e o ídolo. Para muitos, todo craque é ídolo, o que não é verdade, pois muitos craques não conseguem ser ídolos e muitos ídolos não precisam necessariamente ser craques.
Não é preciso ir muito ao passado para entender, muito pelo contrário, pois a existência do jogador nômade praticamente desintegrou a figura do ídolo. Vejamos qual é o maior craque brasileiro dos últimos anos, o Ronaldinho, quem pode dizer que ele é realmente ídolo de algum time? Todos os times os quais ele jogou saiu pelas portas do fundo, depois de forçar a barra para ser vendido, fazendo corpo mole e tudo o necessário. Alguém acha que ele é ídolo do Grêmio ou do PSG? Creio que não, e a postura que ele vem tendo ultimamente não colabora com isso, e o idolatria que a torcida do Barcelona tinha por ele está perto de ir por água abaixo, com todas essas atitudes que ele vem tendo e que vem sendo divulgadas nos jornais esse ano. Nesse grupo encontram-se muitos de nossos craques, com o Ronaldo (Barcelona, Real e Internazionale), Kaká (São Paulo), Adriano (Internazionale).
Está certo que o futebol é mercado, mas não custa um pouco de boa vontade e inteligência para não se queimar nos clubes em que passam ou, principalmente, nos que estouram. Apesar de tudo o que tentaram, inclusive ele próprio, o Robinho conseguiu sair do Santos como um ídolo, deixando o clube no auge, pela porta da frente, com o carinho dos torcedores.
Por outro lado, não é preciso ser craque para se tornar um ídolo, pois um verdadeiro torcedor prefere ver muito mais um jogador que transpira sangue, que deixa a alma em campo do que o famoso pipoqueiro. Tanto quanto uma jogada bonita, um carrinho dado no meio de campo vai ser recebido com a mesma vibração.
Já tive muitos ídolos que não foram craques, como Evair, Cléber, Arce, e alguns outros que são craques, como o Marcos, mas hoje o Palmeiras pode dizer que tem um ídolo que também é um Craque. É um chileno marrento, chato, esquentadinho, contestador, abusado, que veste a camisa 10 que andava sendo muito maltratada. É um cara que joga demais, que tem um domínio de bola como eu poucas vezes vi na minha vida, e que também está aprendendo a fazer gols.
Mas não basta só isso, ele ainda marca, dá carrinhos, vibra. E ainda manda o Bambiceni calar a boca! Por isso e tudo mais, o Valdívia é mais que craque, é ídolo da nação alviverde!
Se os seres humanos fossem movidos à bateria, tais quais os telefones celulares, nesse momento eu estaria apitando. E desesperado porque eu perdi o carregador.
Quem me conhece, sabe como futebol me tira do sério, e nesse domingo eu REALMENTE fiquei irritado (só tive que me conter um pouco pra Alê não assustar). Portanto, futebol só segunda que vem.
Ps.: Eu não resisto, mas está com cara de 1993...
Vivemos de resoluções, e uma das minhas para 2008 foi voltar a escrever com mais constância, pois é algo que me dá prazer, uma terapia realmente. E nesse pacote incluem três itens:
- Meu novo livro
- Meu blog
- Alguns contos
O primeiro ta foda, parece que não sai mas, com a compra do meu laptop, parece que um vento de inspiração surgiu, pelo menos para reler o que já foi escrito e acertar algumas arestas. Do último tenho boas idéias em mente, já até fiz um ou dois menores, mas estou no aguardo de algumas coisas boas que estão por vir para poder pari-los.
Porém, esse filho pródigo parece que agora voltou mesmo. Certo que perdi meus antigos leitores, principalmente porque a maioria saiu desse mundo – como eu por anos –, mas agora isso tem sido feito mais para mim do que para outras pessoas, algo que me faz bem.
Exatamente por isso estou tendo prazer em, além de atualiza-lo algo como 3 vezes por semana, acertar seu layout. Obviamente que isso é algo acima de minha capacidade de programação - meu diploma de PD é só pra constar -, basta ver o layout básico e pré-fabricado do meu, mas se não altero a estética, pelo menos consigo colocar algo de mim nele. E é isso que significa o aumento dessa barra lateral à direita. Inspirado no blog da Alê, resolvi listar coisas que fiz ou comprei que me dão prazer. Inicialmente estão os livros (foram mais, mas esqueci o resto) e shows que assisti, e abaixo os CDs, DVDs, Quadrinhos e Action Figures (bonequinhos, segundo a Alê) que comprei ou ganhei.
Agora, só falta eu acertar um link para o meu livro, pra ver se, quem sabe assim, eu consigo vender alguns mais.
Os maiores símbolos dos times de futebol sempre surgem de gozações das torcidas adversárias, que são incorporados:
- Começaram a chamar o Flamengo de urubu, e virou o mascote.
- Depois, os corinthianos que eram maloqueiros, fato incorporado nos gritos de torcida.
- Finalmente, apareceram com um porco para 'ofender' os palmeirenses, e a torcida do Palmeiras tornou o porco o mascote
Qual o motivo então do São Paulo não aceitar logo o Bambi como o mascote oficial do time? Caraco, os caras revelam o Raí, o Kaká, o Caio, o Jamelli, contrataram o Leonardo e fizeram de tudo para ficarem - ui - com o Bicharlysson, o símbolo do futebol praticado pelo SPFW.
(O motivo desse post? Irrita a arrogância e a prepotência dos Bambis. Como se torcer para um time fosse apenas comemorar títulos. Eu falo e repito, o dia que elas caírem para a Série B ou entrarem na fila, o destino é virar uma Lusa. E nem adianta vir com esse papo furado de que com elas isso nunca vai acontecer, o lobby não vai durar para sempre...)
Toda vez que ocorre um jogo decisivo contra o SPFW é a mesma história, principalmente se elas estão por baixo – com o perdão do trocadilho. Jogo de cena, o gnomo barbudo caçando microfones pra desfilar seu arsenal de besteiras, sobre a pseudo-neutralidade do Panetone.
Falácia! Isso só serve para passar aos desinformados – maioria da torcida tricô – que basta dividir o estádio em dois e tudo está resolvido. E onde ficam nesse caso os vestiários (o dos visitantes tem acesso no meio da torcida e o do mandante fica ao lado do vestiário do árbitro), o banco de reserva (o do mandante é sempre na lateral que corre o bandeira), os símbolos (vão deixar o Palmeiras colocar o símbolo dele no campo?), os bastidores (será que o SPFW vai ceder seus camarotes?) entre muitas outra coisas que fazem muito mais diferença que parece.
Querem começar com vantagem? Ok, mas pelo menos sejam homens – ops, querer demais – para admitirem isso, não fiquem com esse joguinho de seguir regulamento, pois ele não determina em lugar nenhum que os jogos tenham que ser no Morumbi, e sim decididos pela FPF. E falando nisso, o Palmeiras é tão cagado que, quando um palmeirense consegue um cargo importante, ele fode o time pra parecer imparcial.
Tudo bem, paciência. Se é pra começar perdendo de 2x0, começamos, mas no final a gente vê como vai terminar. E nisso cai muito bem o papel do WL pra reverter essa situação e fazer o Palmeiras verter sangue pelos olhos, como a torcida quer ver.
Arte ou espetáculo? Fica aí uma questão a ser discutida mas nunca resolvida, pois partidários de ambas vertentes defenderão com afinco seu lado, com argumentos válidos e plausíveis. Para alguns, a sétima arte; apreciam a fotografia e o figurino, o roteiro elaborado e as interpretações magistrais. Para outros, uma diversão; torcem, emocionam, vibram e querem apenas e tão somente algum tempo de desconexão com a realidade que vivem. Pois enquanto uns criticam a fantasia e a falta de realidade de alguns filmes, outros os adoram pelos mesmos motivos. E pois enquanto outros dormem nas tomadas mais lentas, uns deleitam-se com o primor delas.
Um dos principais pontos em que eu divirjo com a Alê tem a ver com o cinema. Ela é uma cinéfila de primeira, adoradora do cinema como forma de arte e de diretores e atores que eu, um reles mortal adorador de blockbusters – filmes B – fantasia, desconheço por completo. Na terça, ela em Sampa e eu em SBO, fomos em jornada solo ao cinema: ela assistiu ao filme Chega de Saudades que, pelo que vi no trailer, conta uma história tocante sobre um baile de meia idade, eu fui ver a última comédia da Jessica Alba, hora e meia de risadas descartáveis – e deliciosas – e uma das mulheres mais lindas e encantadoras do cinema. Se assistiríamos juntos tais filmes? Nem pensar.
Mas nem tudo é ferro e fogo. Gosto de diversos filmes sérios e a Alê se diverte com algumas comédias, mas temos nossas linhas, que um tenta trazer o outro um pouco mais para seu lado. Eu acho que por enquanto ela está ganhando, pois o nosso primeiro encontro, nos primórdios do ano passado, pré-qualquer coisa, foi ver um filme francês, que eu gostei. Porém, ela ainda irá assistir aos três episódios estendidos do Senhor dos Anéis que eu tenho.
Afinal o que é o cinema?
Óculos do Woody com o olhar do Steven
Dia primeiro de Abril é conhecido como o dia da mentira, e mentira sempre em forma de piadinhas, para dar um trote, um susto, criar, nem que por um instante, uma falsa esperança. Mas nem tudo que acontece nesse dia é mentira. Infelizmente.
Foi num desses primeiros de Abril, mais precisamente no ano de 1999, que o noticiado foi verdade, que ninguém apareceu para depois, com cara de bobo alegre, dizer: “primeiro de Abril”. Foi num desses primeiros de Abril que a literatura ficou mais pobre e que São Paulo, com certeza, garoou lágrimas.
Eu demorei um pouco para adquirir amor pela leitura e pelas estórias maravilhosas que passaram a povoar a minha imaginação, foi somente lá pelos 10 anos, quando a professora de português da 5.ª Série nos obrigou a ler um livro que valeria como nota de prova. O livro era “O Mistério do Cinco Estrelas” e a minha vida nunca mais foi a mesma.
Junto com Monteiro Lobato, posso garantir que pelo menos 50% do que hoje sou – literariamente falando – é responsabilidade de um senhor chamado Edmundo Donato, mas podem chamá-lo de Marcos Rey.
Sobre ele, posso dizer que foi parte essencial dos dois episódios mais marcantes da minha pré-adolescência, responsáveis por fazer de mim esse wannabe escritor. O primeiro, quando aos 12 anos eu fiz com que meu pai me levasse na Bienal do Livro, justamente no dia em que ele estava autografando seu livro novo. Lembro que quando cheguei perto dele e vi um senhor de cabelos brancos, risonhos e com as mãos atrofiadas pela doença, fiquei um pouco decepcionado, pois, na visão de uma criança, a pessoa que escrevia tais estórias emocionantes seria um super-homem, não um homem normal. Porém, voltei para casa com meu livro autografado.
Com isso, empolgado cada vez mais em escrever, ganhei no Natal uma máquina de escrever. Quem, em sã consciência, acharia que uma criança de 12 anos gostaria de ganhar uma máquina de escrever, ainda mais quando a irmã ganhou um 3x1 novinho? Pois é, eu adorei, e passei então horas da minha vida catando milho naquela pequena máquina materializadora de sonhos.
Nela eu escrevi um capítulo daquilo que eu sonhava ser o meu primeiro livro. E foi esse texto que eu, na ingenuidade de criança, resolvi envelopar e mandar para a Editora Ática, aos cuidados de Marcos Rey, para ele apreciar. Qual não foi a minha surpresa quando chega à minha casa meu manuscrito com uma cartinha. Não, não era apenas uma cartinha, era uma resposta dele, - sim, dele mesmo! – comentando e elogiando minha estória e me incentivando a continuar escrevendo.
Os manuscritos eu localizei, mas, por um infortúnio daqueles mais tristes, a carta eu nunca mais encontrei. Só que cada palavra daquelas entrou na minha mente e criou raízes na minha imaginação.
Demorei cerca de quinze anos depois daquilo para conseguir escrever um livro, mas posso afirmar com certeza que, sem estes dois momentos, esse livro jamais existiria, como não existiria o que estou escrevendo nem esse blog.
Infelizmente, porém, aquele primeiro de Abril não trouxe uma mentira, e sim uma triste verdade. Estava morto o homem que escreveu os melhores livros infanto-juvenis. Estava morto o homem que melhor retratou a cidade de São Paulo, com seus personagens vivos ou estáticos. Estava morto o homem que despertou em mim, a paixão em escrever. Triste foi que não pude enviá-lo cópia do meu livro, pois tenho certeza que ele leria, mas posso afirmar que ele está aqui, comigo e com todos aqueles que usam as palavras para emocionar, alegrar e fazer sonhar.